segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Mais do mito da fêmea


Bicho que se culpa tem título: mulher. Penso nisso desde ontem por conta de um acontecimento que deveria ter sido simples pra mim, mas não foi.

Depois da "revolução feminista", o que a gente mais ouve é: mulher tem culpa quando sai pra trabalhar e deixa o filho em casa, quando vai se cuidar e deixa a família, quando isso, quando aquilo, culpa, culpa, culpa. Isso é tão verdadeiro que toda amiga minha que "consegue" sair para tomar um chopp vai logo se justificando "preciso de um tempo para mim", "conquistei essa liberdade", "eles precisam entender", e por aí vai.

Que chato, né? Na minha vida inteira, só ouvi coisa parecida de um único homem, quando falava do próprio filho. E essa culpa vem de onde? É do tempo em que mulher só ficava em casa ou da maneira como nossos hormônios são e pronto? É defeito ou qualidade? E olha que não precisa ser mãe para ter o instinto: eu me cobro quando me ausento, me cobro pela distância, me recrimino pela falta de tempo, pela desatenção às vezes, pelo estresse.

Mulher, como escreveu certa vez um blogueiro, parece que precisa ser super para ser validada como moderna, atual, antenada. Tem que ser excelente dona-de-casa (tô perdida), profissional bem-sucedida, mãe maravilhosa, esposa perfeita, fêmea fatal, malhadora, amiga de muita gente bacana, ter vida social intensa. Aff. Cansei. Como faz tudo isso, gente???

E não pode nem dar uma choradinha na TPM que muito marido já fala "ih, tá naqueles dias", como se só por isso a gente chorasse. A gente sofre com a pressão, viu? Bastante.

Eu conheço muitos homens sensíveis, gentis mesmo. E tenho sorte de conviver com um prá lá de especial. Mas, ainda assim, quando vejo amigas reclamando e se desculpando por reclamar (com culpa mesmo), dá vontade de dizer: "vai lá, diz o que você sente, relaxe!". Já que eu não falo isso pra nenhuma delas porque não me envolvo no relacionamento de casal algum, uso meu blog para contar: mulheres, desistam do super. Vamos ser mais humanas, como os homens (sem machismos, nem feminismos). Já viram como eles não temem serem vistos apenas como homens?

Somos fortes, sim. Heroínas e guerreiras também. Mas, os homens também são. Se nós podemos muitas coisas, eles também podem. Dêem espaço para eles e verão homens tão dedicados como achamos que só nós podemos ser. Nós não somos mais nem melhores. Isso é mito. Aceitar isso faz a culpa diminuir. Eu deveria aprender também ;)

domingo, 8 de novembro de 2009

Pecados da fêmea


Minha amiga Gil sugeriu, outro dia, o tema "pecadinhos" e eu acabei acrescentando algumas lendas também, depois de uma conversa interessantíssima com o universo masculino. Um pouco do assunto anda logo abaixo, aguardando a sua opinião e alguma sugestão. Depois me conta o que foi que você achou ;)

Da seção "pecadinhos", escolhi dois mais recentes: o que fazer depois de uma noite dormida com maquiagem? Esfregar o rosto na manhã seguinte resolve? Não, sequer esfoliação é indicado, já que a esfoliação provoca oleosidade. Mulherada, o negócio é limpar e hidratar. Só. Ah, e evitar que aconteça de novo, faz mal mesmo.

Ainda nos pecados, a segunda situação é a seguinte: semana inteira de academia e dieta X uma noitada de bebida e fritura. E então? Jejum no outro dia? Não, cara pálida... super-alimentação saudável, sim, e atividade física para queimar a gordura "gorda".

Agora, as lendas (e essas são boas). A brasileira sempre foi famosa pelo bumbum farto, certo? E o brasileiro sempre adorou, certo? Sim, para ambas, lendariamente falando. O que se sabe é que, na incapacidade de ter o bumbum da globeleza, a gente acabou copiando os seios americanos: fartos de silicone. Já quanto a preferênca masculina, o que ouvi ontem foi que o bumbum farto "demais" atrapalha e, aí, eu paro por aqui para evitar detalhes...

A outra lenda, e essa é meio picante, é que o orgasmo feminino deixa a mulher "acesa" depois. Mentira. Nenhuma descarga dessas pode deixar uma pessoa "ligada" a ponto de falar sem parar. Gente, dá sono. Mesmo. Atrelada a essa, a história de que mulher não "brocha". Como assim, né? Claro que brocha e é visível se o namorado for atento e sensível.

Ainda na seção luxúria, mulher tem muito, mas muito mais desejo do que qualquer homem é capaz de imaginar. Sou contra essa história de que a testosterona é que faz do homem um ser mais "suscetível", digamos assim, ao apelo sexual. É claro que aqui não cabe generalizar. Assim como há variações de diversos tipos disso ou daquilo, há de haver aqui também. Mas, ainda assim, homens, please, prestem mais atenção à suas namoradas: mal adaptando uma frase de Eintein, uma mulher "despertada" jamais volta ao seu estado original (ainda bem :)).

Bom, a gente sabe que tem mais um milhão de pecadinhos e lendas tumultuando nosso dia-a-dia, né? Quem quiser enviar a sua/seu, fique inteiramente à vontade. Terei o maior prazer em escrever mais 150 posts sobre o assunto ;)

Beijos, boa semana.

sábado, 7 de novembro de 2009

Vida de amores


A maioria das pessoas, e aqui eu me incluo com extrema facilidade, tem o amor como termômetro. Nada tem a mesma importância: se a mãe, o filho, o marido ou qualquer outra pessoa amada padece de alguma dor, o coração da gente já se inquieta. O mesmo vale para aqueles dias em que, por algum motivo, a relação em casa ficou estremecida enquanto a gente sai para trabalhar.

O trabalho não rende tão bem, a hora na academia parece infinita, o ida ao supermercado parece coisa de alienígena. Nem o mundo de gente caminhando ao lado parece fazer muito sentido.

Em contrapartida, como é deliciosa essa rotina toda quando tudo em casa está na santa paz! Eu acredito mesmo que amores, além da evidente função de cuidar do viço da vida, serve para aliviar nossas tensões e somar aquelas alegrias que nos fazer rir sozinhos muitas vezes.

É por isso que amar torna a vida tão mais leve: a gente tem certeza que conta com a ajuda, e sabe da preocupação, da dedicação, do afeto que permeia pra além de qualquer vínculo mundano.

Fazendo um adendo, as amizades entram aqui como um bálsamo: os amigos são, sem dúvida, uma espécie de família que emociona. E isso independe do tempo que se conhece nessa vida: tem gente que acaba de entrar e parece ter existido desde sempre.

Amor, amor, a gente precisa todo dia. E todo dia quer fazer mais. Sim, posso parecer brega, mas é a coisa mais importante dessa vida. E, pra mim, sempre será a solução para esse mundo.

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Tomorrow never knows


Eu fiquei pensando sobre essa expressão "amanhã nunca se sabe" e, como todo bom taurino, fiquei intranquila com a impossibilidade de me divertir com o incerto. Eu sei, isso é bobagem, já que de nada adianta tentar controlar o futuro. Ainda bem, diz baixinho meu senso de vida. Que tortura, reclama meu pé no chão.

Ontem, durante uma reunião, foi falado que para lidar com o imprevisto só mesmo uma força imprevista. Totalmente de acordo: eu e o mundo inteiro de coisas vivas sabemos e vivemos à base do inconstante, do caos, e conhecemos igualmente um poder advindo sabe-se lá de onde.

É fato que o ser humano teme a mudança. É fato que qualquer movimento diferente demanda um novo pensar, uma nova postura, uma mecânica nova. A questão que sobra é até que ponto minha disposição e coragem têm força para caminhar. Até que ponto minha vontade de conhecer uma vida sonhada têm fôlego para garantir a sua realização. No final das contas, tanto a disposição quanto a coragem e o fôlego se resumem em escolha. E escolha, como a gente está careca de saber, acarreta uma renúncia aqui para colher um fruto desejado acolá.

Quando a gente acorda pela manhã e se pergunta "academia ou dormir mais um pouco?" pensando meramente naquele instante, a impressão que dá é que essa é uma escolha sem consequências, inócua. Mas, assim como um dia segue outro, uma displicência acaba trazendo mais uma, e mais outra, e mais outra ainda. Até que, nesse caso específico, o sedentarismo se transforma em diabetes, pressão alta, excesso de peso, às vezes depressão. É, nada é tão inócuo assim.

Por isso é que eu fico aqui, mexendo meus neurônios, tentando entender quais são as armadilhas e benesses a que me imponho e cultivo. Estarei eu sendo excessivamente exigente comigo mesma? Será, sim, que bom que "amanhã nunca se sabe" porque, assim, podemos todos os dias reinventar? Mas, por outro lado, reinventar todos os dias não é cansativo demais? Quais pedaços precisamos mudar e quais outros devemos manter e melhorar? Não sei, não. Pelo menos, não ainda. Será que um dia saberei?

Ah... perguntas, perguntas... dizem que quem pergunta ainda vive. Bom, desse jeito, viverei por mais 200 anos, no mínimo :)

"O futuro é para frente e para trás e para os lados" (Clarice Lispector)